Curadoria Inteligente
27/06/2026 | 4 min leitura

O Setor de Engenharia Necessita de Protagonismo na Formação de Talentos

Diante da crescente falta de engenheiros, o setor precisa investir na formação e retenção de talentos. Empresas como a Passarelli lideram o caminho com parcerias e programas.

O Setor de Engenharia Necessita de Protagonismo na Formação de Talentos

Com a diminuição constante de profissionais qualificados, o setor de engenharia é chamado a liderar a capacitação de novos talentos. Isso é fundamental para a manutenção de serviços vitais e para o crescimento sustentável da nação.

Ao assumir como CEO da Passarelli, uma das minhas primeiras ações foi priorizar a área de Pessoas. Não se tratava de uma mera formalidade, mas sim de uma estratégia de longo prazo. A sustentabilidade de uma empresa quase centenária depende diretamente do investimento naqueles que moldarão seu futuro.

A urgência desta discussão é amplificada no segmento de infraestrutura. O Brasil está em um ponto crucial para aprimorar sua competitividade, bem-estar social e sustentabilidade, o que exige a concretização de projetos fundamentais. Contudo, há uma séria carência de mão de obra especializada, especialmente na engenharia. O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) projeta que o Brasil poderá ter uma falta de aproximadamente 400 mil profissionais em breve.

Essa tendência já é visível na base. O número de graduados em engenharia tem caído continuamente. De mais de 128 mil em 2018, o total diminuiu para cerca de 95 mil em 2023, conforme levantamento do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), com dados do Censo da Educação Superior. Este fato não é apenas um número, mas um sinal de alerta para a nossa capacidade produtiva futura.

Parte do problema reside na percepção que as novas gerações têm da engenharia. Com tantas opções de carreira, os jovens procuram profissões que ofereçam reconhecimento, crescimento e um senso de propósito. O ponto crucial é que o setor de infraestrutura deve aprimorar a comunicação de seu valor e impacto.

Poucas áreas possuem um impacto tão direto e transformador na sociedade. A engenharia possibilita o acesso à água potável, interliga municípios, impulsiona o avanço industrial e eleva, de modo palpável, a qualidade de vida diária. Há um legado concreto em cada obra, e este precisa ser mais claro para aqueles que estão definindo suas carreiras.

Nesse cenário, a formação de jovens transcende uma simples ação de recursos humanos, tornando-se uma decisão estratégica, quase um dever cívico. É responsabilidade das empresas diminuir a lacuna entre o conhecimento teórico e a aplicação prática, aproximar instituições de ensino do mercado de trabalho e proporcionar vivências que mostrem aos alunos o real impacto da engenharia.

Na Passarelli, progredimos continuamente nessa área. Realizamos investimentos em colaborações com universidades, oferecemos programas de estágio bem estruturados, mentorias e percursos de desenvolvimento que unem habilidades técnicas e interpessoais. Recentemente, estudantes de engenharia civil puderam ter uma experiência imersiva em uma de nossas obras, observando o cotidiano de um projeto de infraestrutura e compreendendo a aplicação prática da engenharia.

Essa ligação com a realidade é crucial. O futuro da engenharia inicia-se antes da graduação, sendo moldado por experiências que despertam o interesse, cultivam competências e fortalecem o senso de propósito.

Simultaneamente, percebemos que não basta apenas atrair novos talentos; é essencial desenvolvê-los e mantê-los. Isso requer ambientes que promovam a aprendizagem constante, a troca entre gerações e o reconhecimento daqueles que optam por seguir carreira neste segmento.

A questão da escassez de mão de obra qualificada não pode ser solucionada individualmente. Ela demanda uma transformação na mentalidade coletiva, envolvendo empresas, universidades e líderes. É mais importante capacitar do que apenas competir por talentos já existentes.

A infraestrutura representa, fundamentalmente, um plano para o futuro. E não há futuro viável sem indivíduos qualificados para concretizá-lo.

Original em RCN 67

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