Durante entrevista no RCN Agro 2026 e no Fórum Lide Agro Expogrande 2026, Diego Almoas enfatizou que a inovação só traz resultados quando fundamentada em uma compreensão clara do negócio, dos dados e das metas empresariais.
A integração da tecnologia na estratégia empresarial deixou de ser um tópico exclusivo das áreas técnicas, ganhando espaço central nas decisões. Na conversa com Karina Anunciato, do RCN 67, durante o RCN Agro 2026 e o Fórum Lide Agro Expogrande 2026, o diretor de negócios da Digix, Diego Almoas, ressaltou que a inovação e a tecnologia devem ser vistas como parte integrante do planejamento empresarial, inclusive no agronegócio, e não como meros gastos.
Almoas aponta que um erro comum é considerar a tecnologia apenas como custo. Ele argumenta que as empresas precisam primeiramente identificar seus objetivos e os desafios a serem superados para, então, buscar as ferramentas apropriadas. Segundo Almoas, o problema surge quando se adquire uma solução antes de entender as necessidades reais do negócio, o que pode resultar em altos investimentos com poucos resultados.
Tecnologia como meio, não como fim
Durante a entrevista, Diego Almoas enfatizou que a tecnologia deve ser vista como um meio para atingir metas, desde o planejamento estratégico até as decisões cotidianas. Segundo ele, a adoção de sistemas, softwares ou inteligência artificial só se justifica quando contribui para acelerar processos, diminuir erros, aumentar a previsibilidade e aprimorar a compreensão do negócio.
Almoas salientou que esse processo requer um conhecimento técnico mínimo dentro da empresa. Mesmo com equipes pequenas, é crucial ter alguém capaz de avaliar o que está sendo contratado. Sem essa análise, o risco de adquirir soluções sofisticadas demais para problemas simples aumenta, transformando a tecnologia em frustração em vez de vantagem competitiva.
Dados Confiáveis: Prioridade Antes das Ferramentas
Outro ponto crucial da entrevista foi a defesa de que o progresso tecnológico consistente depende de dados confiáveis. Almoas defendeu que as empresas devem começar por conhecer seus negócios, mesmo que inicialmente por meio de planilhas ou controles simples. Para ele, é essencial que o empresário tenha confiança nos dados antes de digitalizar processos complexos.
No contexto do agronegócio, Almoas usou a produção leiteira como exemplo, indicando que a falta de tecnologia de ponta nem sempre é o problema central, mas sim a fragilidade da base de dados. Segundo ele, se o produtor não tiver clareza sobre sua produção, a qualidade do rebanho ou os fatores que impactam o desempenho, qualquer solução posterior perde eficácia. A tecnologia, portanto, deve conferir confiabilidade, precisão e agilidade às decisões.
Agro: Sensores e Decisões em Tempo Real
Ao discutir aplicações práticas, Diego Almoas mencionou um caso internacional de uso de sensores conectados à internet em vacas leiteiras, monitoradas por satélite e com suporte de inteligência artificial. Essa ferramenta, segundo ele, permite monitorar a localização, a temperatura corporal e outras condições que influenciam a produção, proporcionando uma leitura mais rápida e detalhada da operação.
Para o executivo, a importância dessa solução reside na capacidade de antecipar decisões, mais do que no impacto visual da tecnologia. Com dados atualizados em tempo real, o produtor pode otimizar suas estimativas de produção, vendas e capacidade de exportação. Almoas ressalta que é nesse ponto que a tecnologia se torna fundamental para a eficiência do negócio.
Desafios do Brasil no Cenário Tecnológico
Na entrevista, o diretor da Digix comparou o Brasil com países como China e Estônia, observando que o país não carece de tecnologia, mas enfrenta desafios de infraestrutura e interoperabilidade entre sistemas. Ele apontou que o Brasil ainda sofre com limitações de conectividade, especialmente fora dos grandes centros, e com a falta de integração entre bancos de dados públicos e privados.
Almoas citou a dificuldade de conectar sistemas de diferentes áreas, como saúde e educação, como um exemplo. Ele argumenta que essa fragmentação atrasa respostas mais precisas do poder público e do mercado, e alertou para a crescente importância da segurança da informação, à medida que mais dados circulam em ambientes conectados.
Inteligência Artificial: Diagnóstico, Não Modismo
Diego Almoas abordou a inteligência artificial com um olhar pragmático, afirmando que, embora a IA possa acelerar processos e ampliar a capacidade analítica, nem todas as empresas precisam de soluções sofisticadas de imediato. Ele defende que o uso da ferramenta deve ser adequado ao estágio da empresa e ao problema a ser resolvido.
Para ilustrar esse risco, ele usou a metáfora de usar um canhão para matar uma mosca, criticando o uso de ferramentas caras ou complexas sem necessidade. Almoas acredita que muitas empresas precisam primeiro organizar seus dados e entender suas rotinas antes de considerar soluções baseadas em inteligência artificial.
Ao concluir a entrevista, Almoas deixou uma mensagem clara: não investir em tecnologia já representa um risco à competitividade, mas investir sem direcionamento pode ser igualmente prejudicial. Ele defende um caminho racional, onde o conhecimento do negócio, a qualidade dos dados e a clareza dos objetivos precedam a escolha da ferramenta.