Brasil Reforça Liderança Global na Celulose
Em 2025, o Brasil firmou-se como o maior exportador de celulose do mundo, impulsionado pela alta produtividade florestal e modernização industrial. Dados do Mdic indicam um embarque de 2,2 milhões de toneladas, 13% a mais que em 2024, consolidando o país como fornecedor estratégico de fibras vegetais.
A relevância brasileira é notável nos EUA, com 82% da celulose de fibra curta importada vindo do Brasil. Apesar da China liderar como destino global (48%), os EUA mantêm-se como segundo maior comprador da celulose nacional.
Impacto das Tarifas e Resiliência do Setor
Em 2025, o setor enfrentou desafios devido ao tarifaço de 30% imposto pelo governo Trump, que reduziu em 21% o faturamento das vendas aos EUA, totalizando US$ 1,3 bilhão. Contudo, o volume físico permaneceu estável, indicando que os compradores absorveram o impacto sem substituir o fornecedor brasileiro.
Três Lagoas: Capital Mundial da Celulose
Mato Grosso do Sul, especialmente o eixo Três Lagoas-Ribas do Rio Pardo-Inocência, desempenha papel crucial nessa resiliência. Três Lagoas, conhecida como “Capital Mundial da Celulose”, abriga duas das maiores plantas de fibra curta do mundo.
Destaque para as Plantas de Celulose
- Suzano Três Lagoas: Com capacidade de 3,25 milhões de toneladas/ano e cerca de 3 mil empregos diretos, a unidade utiliza gás natural e opera com excedente energético de 180 MW.
- Eldorado Brasil (Três Lagoas): Produz 1,8 milhão de toneladas/ano em uma única linha, com base florestal própria de 285 mil hectares de eucalipto em MS.
Juntas, as operações respondem por mais de 20% da celulose exportada pelo Brasil, conferindo a Três Lagoas o maior PIB industrial per capita do Centro-Oeste. O setor florestal ocupa mais de 1,2 milhão de hectares em MS, concentrados na região leste.
Expansão Contínua e Novos Projetos
A Suzano inaugurou o Projeto Cerrado em Ribas do Rio Pardo (2024), com investimento de R$ 22,2 bilhões, sendo a maior linha única de celulose do mundo (2,55 milhões de toneladas/ano e 3.000 empregos diretos). Em Inocência, a Arauco confirmou o Projeto Sucuriú (R$ 25 bilhões), para produzir 3,5 milhões de toneladas/ano no final de 2027.
Com os novos projetos, o “Vale da Celulose” deverá ultrapassar 13 milhões de toneladas/ano de capacidade até 2030, cerca de 60% do volume exportado pelo Brasil em 2025.
Sinais de Retomada e Perspectivas para 2026
O relatório da Amcham aponta crescimento de 7,7% no volume exportado aos EUA no primeiro quadrimestre de 2026, com destaque para abril (salto de 51%).
Analistas preveem que o fim das tarifas, dólar favorável e a nova capacidade de Ribas do Rio Pardo acelerarão as vendas no segundo semestre. A demanda aquecida por embalagens e papéis sanitários deve recompor estoques.
Se confirmada, 2026 poderá ser um ano recorde em volume e receita, consolidando o MS como principal polo de fibra curta do mundo.