Curadoria Inteligente
30/05/2026 | 3 min leitura

Brasil consolida liderança na celulose com expansão em Três Lagoas e olho na retomada dos EUA em 2026

Brasil lidera exportação de celulose, impulsionado por Três Lagoas, e mira retomada nos EUA em 2026 após superação de tarifas.

Brasil consolida liderança na celulose com expansão em Três Lagoas e olho na retomada dos EUA em 2026

Brasil Reforça Liderança Global na Celulose

Em 2025, o Brasil firmou-se como o maior exportador de celulose do mundo, impulsionado pela alta produtividade florestal e modernização industrial. Dados do Mdic indicam um embarque de 2,2 milhões de toneladas, 13% a mais que em 2024, consolidando o país como fornecedor estratégico de fibras vegetais.

A relevância brasileira é notável nos EUA, com 82% da celulose de fibra curta importada vindo do Brasil. Apesar da China liderar como destino global (48%), os EUA mantêm-se como segundo maior comprador da celulose nacional.

Impacto das Tarifas e Resiliência do Setor

Em 2025, o setor enfrentou desafios devido ao tarifaço de 30% imposto pelo governo Trump, que reduziu em 21% o faturamento das vendas aos EUA, totalizando US$ 1,3 bilhão. Contudo, o volume físico permaneceu estável, indicando que os compradores absorveram o impacto sem substituir o fornecedor brasileiro.

Três Lagoas: Capital Mundial da Celulose

Mato Grosso do Sul, especialmente o eixo Três Lagoas-Ribas do Rio Pardo-Inocência, desempenha papel crucial nessa resiliência. Três Lagoas, conhecida como “Capital Mundial da Celulose”, abriga duas das maiores plantas de fibra curta do mundo.

Destaque para as Plantas de Celulose

  1. Suzano Três Lagoas: Com capacidade de 3,25 milhões de toneladas/ano e cerca de 3 mil empregos diretos, a unidade utiliza gás natural e opera com excedente energético de 180 MW.
  2. Eldorado Brasil (Três Lagoas): Produz 1,8 milhão de toneladas/ano em uma única linha, com base florestal própria de 285 mil hectares de eucalipto em MS.

Juntas, as operações respondem por mais de 20% da celulose exportada pelo Brasil, conferindo a Três Lagoas o maior PIB industrial per capita do Centro-Oeste. O setor florestal ocupa mais de 1,2 milhão de hectares em MS, concentrados na região leste.

Expansão Contínua e Novos Projetos

A Suzano inaugurou o Projeto Cerrado em Ribas do Rio Pardo (2024), com investimento de R$ 22,2 bilhões, sendo a maior linha única de celulose do mundo (2,55 milhões de toneladas/ano e 3.000 empregos diretos). Em Inocência, a Arauco confirmou o Projeto Sucuriú (R$ 25 bilhões), para produzir 3,5 milhões de toneladas/ano no final de 2027.

Com os novos projetos, o “Vale da Celulose” deverá ultrapassar 13 milhões de toneladas/ano de capacidade até 2030, cerca de 60% do volume exportado pelo Brasil em 2025.

Sinais de Retomada e Perspectivas para 2026

O relatório da Amcham aponta crescimento de 7,7% no volume exportado aos EUA no primeiro quadrimestre de 2026, com destaque para abril (salto de 51%).

Analistas preveem que o fim das tarifas, dólar favorável e a nova capacidade de Ribas do Rio Pardo acelerarão as vendas no segundo semestre. A demanda aquecida por embalagens e papéis sanitários deve recompor estoques.

Se confirmada, 2026 poderá ser um ano recorde em volume e receita, consolidando o MS como principal polo de fibra curta do mundo.

Original em Perfil News

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