O terreno que será usado para a construção e funcionamento de um terminal portuário fluvial está no centro do projeto da Bracell. A iniciativa, que visa implantar um terminal portuário fluvial em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, está avançando para uma nova etapa. Atualmente, a empresa aguarda a concessão da licença ambiental para dar início às obras.
A Bracell comunicou que o processo de licenciamento está em análise junto ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). Paralelamente, a Prefeitura de Três Lagoas já formalizou a cedência da área necessária para o desenvolvimento do projeto.
A oficialização do avanço ocorreu esta semana com a publicação do extrato do Termo de Comodato de Bem Imóvel nº 002/2026 no Diário Oficial do Município. Este documento valida a cedência de uma área de 89.450 metros quadrados, situada no Distrito Industrial 2, à MSFC Florestal Ltda., a empresa encarregada do projeto logístico.
A área, com valor estimado em R$ 9,64 milhões, foi concedida pelo município por um período de 25 anos. O acordo foi formalizado em 22 de julho, com as assinaturas do prefeito Cassiano Maia, do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Antônio Gomes Junior, e dos representantes da MSFC Florestal, Mauro Quirino e Arthur Rizzardo Zanardi.
O terreno será destinado unicamente à instalação e operação de um terminal portuário fluvial, que servirá para o recebimento, armazenagem e carregamento de madeira de eucalipto. A iniciativa planeja empregar a Hidrovia Paraná-Tietê como rota alternativa para o transporte da produção florestal entre os estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Em comunicado oficial, a Bracell reiterou que solicitou à Prefeitura de Três Lagoas a concessão do local para a construção do porto, que ficará próximo a um píer já em funcionamento. A empresa assegurou que o projeto está em conformidade com os trâmites legais e com o processo de licenciamento ambiental junto ao Imasul.
A futura infraestrutura será empregada para o escoamento da produção de eucalipto cultivada na área de Água Clara, onde os primeiros plantios para este projeto tiveram início em 2021. A madeira coletada complementará o fornecimento para a fábrica de celulose da companhia, situada em Lençóis Paulista, no interior paulista.
Estima-se que o empreendimento possa criar aproximadamente 500 postos de trabalho no estado, além de aprimorar a conexão logística entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, utilizando a Hidrovia Paraná-Tietê.
O projeto obteve aprovação da Câmara Municipal em maio deste ano, sendo posteriormente convertido na Lei Municipal nº 4.445/2026, que oficializou o comodato do imóvel. A lei ainda determinou uma contrapartida de pelo menos R$ 3 milhões em investimentos na infraestrutura do Parque da Cascalheira, seguindo as orientações da prefeitura.
A empresa concessionária está impedida de vender, alugar, transferir ou usar o imóvel para qualquer outra finalidade sem a permissão explícita do Poder Executivo. Caso as condições estabelecidas na legislação não sejam cumpridas, a área poderá ser reintegrada ao patrimônio municipal, sem que haja direito a indenização pelas melhorias feitas.
Com a validação jurídica e a formalização do comodato, a área já está oficialmente destinada ao empreendimento. A etapa seguinte é a finalização do processo de licenciamento ambiental, requisito indispensável para que a construção do terminal possa prosseguir. Este projeto se insere na estratégia logística da cadeia florestal que abrange Três Lagoas e cidades vizinhas, estabelecendo uma via hidroviária para o transporte da madeira de Mato Grosso do Sul com destino à indústria de celulose em São Paulo.