Curadoria Inteligente
27/07/2026 | 3 min leitura

Aproximadamente 33% das exportações do agronegócio brasileiro para os EUA enfrentarão sobretaxa total de 37,5%

Novo encargo de 12,5% dos EUA se soma à tarifa prévia, elevando a sobretaxa para 37,5% em um terço das exportações do agronegócio brasileiro.

Aproximadamente 33% das exportações do agronegócio brasileiro para os EUA enfrentarão sobretaxa total de 37,5%

Quase um terço de todas as exportações do setor de agronegócios do Brasil para os Estados Unidos agora enfrentará uma sobretaxa combinada de 37,5%. Este significativo aumento tributário é resultado da formalização, pelo governo norte-americano, de um novo encargo adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, que se soma à tarifa de 25% já em vigor.

Um estudo técnico realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) revela que 32,9% do volume total de vendas agrícolas para os EUA foram impactados simultaneamente por ambas as taxações. Adicionalmente, 12,3% dos carregamentos do setor serão sujeitos apenas ao novo encargo de 12,5%.

Em contrapartida, a CNA estima que 53% das exportações agrícolas do Brasil para o mercado americano permanecem livres de qualquer uma dessas tributações. O percentual restante, de 1,6%, corresponde a produtos de madeira que já possuem suas próprias regulamentações tarifárias.

Impacto direto na competitividade e em setores dependentes

A recente alíquota é resultado de uma investigação do governo norte-americano, enquadrada na Seção 301, focada na luta contra o trabalho forçado. Devido ao fato de as listas de exceção para as duas sanções dos EUA não serem idênticas, alguns produtos que haviam sido isentos da taxa de 25% em julho agora estão sujeitos à nova tarifação, resultando na cumulação de 37,5% para cerca de um terço do agronegócio.

Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da CNA, destacou que essa nova taxação diminui consideravelmente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. O efeito será mais acentuado em setores que dependem fortemente do consumo dos EUA, como o de pescados, que direciona 50% de suas exportações para o país, e o de mel, com 84% de suas vendas externas destinadas ao mercado americano.

CNA contesta argumentos e busca diálogo

A CNA apresentou uma contestação formal aos argumentos empregados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A confederação defendeu perante o governo americano que o Brasil possui uma das estruturas legais e institucionais mais rigorosas globalmente no combate ao trabalho escravo, com fiscalização intensa nas áreas rurais.

A confederação argumenta que a imposição de barreiras tarifárias prejudica produtores rurais que operam dentro da lei e não contribui efetivamente para erradicar práticas ilícitas. Além disso, a entidade frisou que, diferentemente da sanção inicial que visava apenas o Brasil, esta nova medida relacionada ao trabalho forçado abrangeu 60 nações parceiras dos Estados Unidos.

A representação do agronegócio declarou que seguirá participando de audiências e fóruns internacionais com o objetivo de proteger os interesses do produtor rural brasileiro e encontrar soluções negociadas para a atual disputa comercial.

Original em RCN 67

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